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Cultura em casa

“Cultura em casa” não é uma ideia nova. No passado, cultura em casa se calhar era uma tia a tocar um LP de canto lírico quando as pessoas se juntavam na sala depois de um jantar familiar. Podia ser alguém a ligar o rádio na Antena 2 para ouvir uma peça de música antiga, ou ouvir um irmão a ensaiar a guitarra portuguesa no quarto ao lado.

 

Há outras formas de cultura em casa que são tão importantes e diversas quanto estes: estudar uma brochura da Capela Sistina obtida numa visita recente; passar uma tarde com um livro da pintura da Josefa de Óbidos; e, claro, ler livros. Desde a poesia de Camões, à Ilídia de Homero, até aos livros da série policial Padre Brown (de G. K. Chesterton) que apelam a um gosto mais imediato. Há ainda aquelas atividades culturais que sempre se fizeram em casa, como desenhar uma natureza morta, pintar um quadro, aprender um cântico ou oração nova. Estas obras culturais – seja música, artes plásticas ou literárias – são importantes para nos lembrarmos dos melhores aspetos enquanto pessoas. Há muita distração que tira a nossa concentração para fora do âmbito da cultura em casa.

 

A verdadeira cultura mostra como Deus inspirou pessoas antes de nós, e nos inspira agora a nós a criar uma coisa bela e valiosa como testemunho da nossa humanidade e criatividade enquanto humanos. Devemos agarrar esta criatividade e perceber que podemos participar ainda mais na cultura enquantoestamos fechados em casa devido à pandemia de Covid-19.

 

Passar demasiado tempo em casa, no entanto, inspira as pessoas a pensar muito na vida quotidiana: cozinhar, limpar a casa, dormir à noite.

Com o verão a começar, muita gente já tem fugido para as praias para passar as tardes ao sol e conversar com amigos. A televisão e a internet ajudam a passar as horas mortas do dia em casa, especialmente com séries e canais de notícias de 24 horas, mas tudo isto contribui para a perda de contacto com cultura verdadeira.

 

Durante este período das nossas vidas, parece crucial que pensemos na importância da cultura e na cultura em casa. Isto é, identificar como a cultura traz mais alegria ao nosso dia a dia. Em casa, pela internet, podemos explorar museus como o da Gulbenkian que oferece uma experiência 360º e pode inspirar um novo interesse na arte da Egípcia Antiga (por exemplo), ou ouvir um concerto que a Gulbenkian oferece no site.

Como contraponto ao stress de ir aos espaços públicos no contexto diário da vida, seria melhor que o nosso tempo em casa exemplificasse os nossos interesses e crenças. Deste modo, um livro novo posto na mesa em casa pode relembrar-nos da importância
de alimentar os nossos interesses e dos nossos talentos criativos e artísticos – talentos que são dados de forma generosa pela bondade de Deus.

Sara Eckerson,

Equipa de Comunicação

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